quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sem poesia

Hoje não há poesia,
pois ainda é dia,
e a noite não vem.

. Hoje não há canção,
. pois vendi o coração,
. à quem nada tem.

Hoje não há poesia,
pois, sem alegria,
só sei ser ninguem.

. Hoje não há sensação,
. pois tem meu coração,
. quem eu digo que nada tem.

tio ed 23/03/1979




Paz e guerra

Nem só a paz é minha companheira,
nas horas que vaga o coração alheio.
Nem só o pensamento é voz traiçoeira,
Que delata o meu querer, o meu anseio.

Há tambem esta guerra no meu peito,
nas vezes que me entrego ao sonho,
que me desperta, às vezes neste leito,
em viva voz, um murmurar tristonho.

Este murmúrio, lamento incessante,
me invade a alma, e, de tal maneira,
que traz à tona à todo instante,
a paz infiel, na voz traiçoeira.

tio ed 29/03/1979

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Não quero que me queiras

Não me queira assim, agora,
sem um porque, uma razão de ser.
Longos anos se passaram
e, de repente, bem de repente,
pude abrir os olhos...
Ah! eu pude ver!...

Tu, o que fizestes, destes anos?
- Desamores, desencantos, desenganos...
Eu? Uma vida inteira pra contar.

Não mais as minhas noites foram escuras,
não só a brisa, tocou meus lábios,
e, procurei não me ferir
no espinho da paixão.

Não só a solidão me abraçou.
Abracei a boemia, o violão.

Nem sempre o vazio da fria cama,
ao meu lado, ficou vazio, nem frio,
nem só o cobertor me aqueceu.

Não, não me queira assim, agora,
tenha um porque, uma razão de ser,
que te quero pela vida,
que sem ti, sinto morrer.

tio ed 22/03/1978




A posse

Às vezez sinto
que estou faminto
de ter voce.

Às vezes falo,
no meu embalo
não sei de que.

Às vezes calo,
porque se falo,
não sei dizer.

Às vezes digo,
outras me entrigo
e quero morrer.

Às vezes eu morro,
outars eu corro,
até me perder.

Quando me perco,
no mesmo cerco
sinto voce.

E quando voce se perde,
ah! quando voce se perde,
sinto possuir voce.

tio ed 17/11/1978


canto

Está acabando a corda,
acho que vou parar.
Tambem está acabando o tempo
e o tempo não pode parar.

Quero vencer, viver e ser!
Talvez vença, antes que acabe a corda,
talvez viva enquanto o tempo não passa,
mas, o ser é curto
e a existencia, limitada à corda,
que o tempo dá para a vida.

tio ed 08/01/1979

Punhos e mente

Tu, que tocas meu peito,
enobrece minha alma,
faz-me viver,
relembrar poesias feitas
por estes punhos, por esta mente
que as tem de cor.

Tu, só tu as tornas tão infantis,
tão sem sentido,
que me ponho a pensar
nunca tornar a escrever.

Tu, que tocas meu peito,
empobrece minha alma,
faz-me ver,
relembrar poesias feitas
por esta mente demente,
que justos punhos recusaram,
o plantio de tais sementes,
tão sem sentido,
que ponho em meu pesar,
com meus punhos a pensar,
para nunca tornar a escrever.

tio ed 05/01/1979

Santo

Se algum dia
tuas horas malfadadas
te fizerem cair em prantos,
lembra que, por vezes desgraçadas,
te beijei e te abriguei
nos meus rasgados mantos.

Se algum dia
caires pensativa
envolta em teu proprio pensar,
lembra que minha alma cativa
libertou-se e te fez carinhar.

Se algum dia
chorares em qualquer canto,
te busco, te envolvo e te acalanto.
Do dedo faço meu lenço...
mas saiba que, quando penso,
penso que gostaria que tivesses em mim
o teu santo...

Santo que enxuga teu pranto,
que te faz acalanto
e repousa feliz, junto a ti,
no teu canto.

tio ed 16/09/2004


De cabeça para baixo

Ainda boquiaberto
...me descurvo no leito,
...tentando massagear os joelhos,
...senti-me com as mãos no peito.

Vou tocar os meus pés,
...acho o travesseiro
...(que estava sem fronha...)
...o meu fiel escudeiro,
...que deveria a cabeça guardar,
...levanta-se ("bruxa medonha"),
...perto do calcanhar.

Aí me dei por conta...
...peguei a caneta,
..."estava sem ponta"...

Deus do céu, diabo, diacho...
...com a cabeça ainda tonta,
...sem me dar por mim,
..deitei-me de cabeça para baixo.

tio ed 13/09/2004

domingo, 28 de agosto de 2011

Revolta

Dez minutos se passaram,
voce chegando,
me beijou e saiu...
Saiu de fora,
para dentro de casa.

Antes dos dez minutos,
me cumprimentou,
me beijou e saiu...

- "Já volto".
Suas duas últimas palavras.

Dez minutos depois, voce volta,
me acaricia, me beija, me afaga...

Dez minutos antes,
voce passou por mim,
foi ao banho e já voltou.

Cheiro de sabonete no ar,
odor de rosas, talvez.

Dez minutos antes,
voce chegando, eu te amando...

Voce não sabia que,
antes do banho,
dez minutos antes,
eu só queria sentir seu cheiro
e te ver mulher.

tio ed 31/08/2004


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pureza

Tenho uma página branca
diante de mim.
Nesta que vejo,
nada tem, nada escrevi.
Mas ela está aqui, e, franca.
Olho para ela, ela olha para mim,
talvez queira resssaltar meu desejo.


Eu poderia estar revoltado,
tê-la maculado, pixado,
rasgado e ao lixo atirado...

Mas ela está aqui,
cândida como nasceu.
Ninguem riscou nesta página,
e não a maculou,
nem uma letra sequer.
E ela está aqui,
completamente branca...

Talvez queira retratar meu desejo:
Tê-la assim como está,
imaculada, pura, branca...
E ela como está, permanecerá
- eternamente franca.

tio ed 29/08/2004




Primeiro pulso

Posso estar acordado,
ainda vendo voce!
Voce que me atormenta
e atordoa.

Estar acordado,
ainda vendo voce.

Vou... tento fugir
do meu "acordado",
continuo a ver voce.
Me abrigo, vou ao leito,
me ajeito, me deito
e ainda vejo voce.

Voce que me atormenta,
me pega e me deita.

... Agora, já dormindo
sem trejeito,
sinto algo em meu peito
e não pergunto porque.

Tenho no corpo extasiado,
mesmo que amargurado,
dormindo ou acordado,
o meu primeiro pulso:
"voce".

tio ed 27/08/2004



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Hei de chegar

Eu subia por uma escada
onde faltavam dois degraus,
passava por escalada
que, de concreto vi em paus.

A escada, de perto infinda,
de longe, tão pouco linda,
e, de linda, tão pouco perto.

Gostaria de ver ainda
meu peito um pouco aberto,
buscando onde se finda
o proximo degrau,
que, ainda longe,
sinto tão perto.

"eu gostarei de sentir no mundo
o mundo onde vivo".

tio ed 26/08/2004

O premio

Trago comigo a imagem da morte!!!
a dor que levo é menor que deixei,
o amor que tenho, ao menos sonhei.

O coração trago em corte...
Melhor perder, que da desdita
levar a sorte.

Eis que me deixo morrer,
me entregar à plumagem,
por menos que ela me porte.

Eis-me contigo, oh! cruz,
deixo a dor que ganhei,
por menos que faça jus.

"Trago comigo a imagem da morte"
premio que um dia terei:
ver-me em frente a Jesus.

tio ed 02/08/2004

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Simplesmente Maria

"Patricia", deveria se chamar Maria...
Beleza nata, pura e clara, que penetra.
Nunca deveria assinar poeta,
pois esta em voce, a mais doce poesia.

Maria (que insiste se dizer "Patricia"),
quando voce fala, minha alma aquieta,
voce é a poesia , que de mim faz o poeta,
versando rimas, sem maldade, sem malícia.

"Patricia", querida e doce Maria,
cheia de graça, plena de alegria,
caricia bela, simples e discreta.

"Patricia" me deixa chamá-la Maria,
simplesmente " voce", suave poesia,
apenas Maria,
não "Patricia" nem "Poeta".





Poesia dedicada à jornalista e apresentadora da Rede Globo. Patricia poeta



tio ed 21/07/2003


Doação

Por tanto amor
que te dedico,
me prejudico,
por tanto me dar.

Por tanto amor
que te dou,
me magoou,
o jeito de te amar.

Por tanto amor que a ti tenho,
me desdenho,
sem descansar.

Portanto, amor,
por tanto amor,
volto a me amar.

tio ed 21/03/2006



Palavra amiga

Às vezes eu tambem preciso,
(não gritar), escutar
uma palavra amiga;
aí, vou ao ciso
sem pestanejar.

Minha alma me abriga,
e, quando estou (assim) indeciso,
para não me torturar,
volto-me a mim mesmo,
me adentro,
me sinto em mim...

Procuro buscar a palavra amiga
e, por mais que ela me siga,
vou para longe dela,
me dessedentar.

É por isso que não me encontro
pois me confronto
(sempre comigo)
às vezes calculado,
às vezes a esmo.

E quando preciso
da palavra amiga,
por mais que me siga,
fico pensando assim:
- "nem sei onde ela está...
eu a encontro
dentro de mim".

O pequeno grande

Cheguei
quase atrasado
ao meu destino.

Pensei
que já criado,
fosse homem
e não menino.

Cheguei
ao vazio da alma,
ao "clã-destino".
Me apresso, quase sem calma
sinto-me homem
e não menino.

Pensei que um dia,
mesmo sem calma
com certeza venderia
pedaços da minha alma.

Alma pequena
que, mesmo serena,
teria criado
no rumo certo
o meu destino:
queria ser grande
e não menino.


"os teus valores podem ser subtraidos,
tuas memorias, não.

tio ed 10/03/2004
















domingo, 21 de agosto de 2011

Homenagem à Augusto dos Anjos

Por vezes, ninguem assistiu
.......ao formidável enterro
.......da tua ultima quimera,
.......nem a solidão, que foi pantera,
.......companheira seprarável,
.......te abraçou, te carinhou, te beijou..


Acostuma-te ao escarro,
.......no barro que te formou...
.......inda trago no peito
.......o aperto suspeito
.......do cigarro que se fumou.

Ainda assim ficou a chaga
.......que sem suspeita te apaga.
.......Apedreja esta mão vil
.......que te afaga,
.......acende o cigarro que se apaga,
.......cospe na boca que te beija,
.......respira o ar que se desfaz
.....................(ainda que pobre),
.......e te abriga na terra
.......que te cobre.

tio ed 21/03/2007 (dia internacional da poesia)
.......




Ruina

Todos os males
haverão de cair sobre ti.
Todos os vales se abrirão
e, mesmo que em vão,
ali estarão, à espera de ti.

E tu haverás de cair,
seja no ocaso (doce poente),
seja na aurora (vida ardente).
Hás de vir, e, vais ruir.

Cairás por terra adentro
(te verei de fora),
neste covil eu não entro,
pois quem entra, chora.

Ainda assim, quero tua face virar,
heis-me gentil, teu rosto a tocar,
voltando-a para meu lado,
esta tez, inda hei de beijar,
beijar como se beija um anjo,
tocar como se toca um banjo.

E hei de sorrir neste doce porvir,
como que a sentir, ("se") tentando subir,
haverás de saber (absorver),
que todos os males
só te levam a cair.

tio ed 13/03/2007


Sonhos

Sonhos...
só os sonhos
adentrando
minh'alma.

Por si só
me invadem
acalantam
e, com calma,
abrem minha mente.

Dos sonhos, vivo,
me faço carente.
Dos sonhos vivos,
me faço presente.

Vivo sonhando,
sonho vivendo
e, vivendo, sonho
pensando em voce,
eternamente.



ps: primeira poesia escrita com a "mont blanc".
..........presente da minha querida sobrinha: Pri...

tio ed 06/05/2005

sábado, 20 de agosto de 2011

guarida

Sabe como é?
Não é medo da morte,
que esta, com pouca sorte,
me leva aos pés da fé.

Não! mesmo que invada o peito,
me faço meio sem jeito,
me arrumo, disfarço, ajeito...
deixo que ela me leve ao leito.

Não; por medo não fujo da morte,
por mais que grande seja, e, forte,
trago-a com respeito, amor e carinho.

Me ajeito, preparo, refaço o ninho,
sem medo. Nem sei como ela é...
sem medo, me guardo nos braços da fé.

tio ed 16/02/2005

Mulher, amante e amiga

Eu preciso de uma mulher
que sente ao ao meu lado
e não se sinta "cheia".

Preciso d'aquela mulher
altiva e alheia,
que deite na cama
e se sinta amada,
ou tome comigo,
uma cerveja conversando,
sentada na calçada.

Preciso desta mulher:
companheira e amiga
que, sem querer nem ser,
se deite ao meu colo
e se abrigue.

preciso de uma mulher
sem brio, sem brilho,
arrojada,
que, mesmo estando longe,
me ame até sentir-se cansada,
e, ainda que não amando,
simplesmente ao meu lado
deitada,
me queira, me afague, me beije...

Que sinta e saiba estar ao meu lado
protegida e sendo amada.


Ps: Não vou datar esta poesia, pois ela, como canção
.......se abriga em meu coração e a canto no dia a dia
.......ou a rezo, como oração.

sem data, tio ed

fases

vou devolver tudo
o que a natureza
me deu.
(alvorecer 12 horas)

vou e volto com tudo
o que pode ser meu.
(entardecer 18 horas)

vou voltar ,
devolver tudo
o que me ofereceu.
(anoitecer 24 horas)

Vou devolver a realeza,
abaixo dela o conteúdo...

Eis aí meu coliseu
devolvo a vida.
(renascer 6 horas)

Te dou a pureza,
entrego meu próprio eu.


(às vezes vivo, outras vezes
existe um mundo
paralelo ao meu)

tio ed 20/07/2007

alegria

Eu nao quero
que me invada
o mundo da poesia...

vou dormir,
guardar nostalgia.

Tragam, meus sonhos,
a morte da melancolia;

me abracem Deusas,
vou dormir,
que me acorde a alegria de viver,
meu intenso entardecer.

Vou dormir e vou sonhar,
nestes braços deleitar,
sonhar como queria:
"que tenho a me abraçar,
as Deusas da vila maria".





tio ed 20/02/2007

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

vitoria

Voce só vence,
quando sente o sabor
da vitória.
Este, que desce pela garganta
e aos poucos te levanta
e te traz, da lama,
à glória.

Voce só vence, quando dentro de si,
se agiganta o momento de dizer: "caí",
e volta aos braços que te acalanta,
e, nesses abraços voce diz:

"venci".

"só se chega ao topo,
se passar por todos os degraus.
Se esquecer um só, volte,
se nao voltar,
a busca foi incompleta".

tio ed 05/07/2003






um minuto de paz

Eu quero um minuto
de paz.

Eu quero dizer
que meu corpo
jaz.
Um minuto
que por todo momento,
a vida me traz.

Talvez, um segundo
de paz!!!

Um só minuto para pensar
é suficiente,
no momento
que não se desfaz
crivando-nos,
eternamente.

tio ed 05/07/2003

passando pela vida

A vida não vem só por vir,
tem seus começos, meios e fins.
A vida não vai só por ir,
tem seus tropeços,anseios e afins.

A vida é certa
e, de maneira correta,
te faz nascer,
viver,
morrer
e renascer.

tio ed 01/07/2003

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

sem pronomes

Será que és cega?
Será que és muda?
Quando olho, não me enxergas,
Quando falo, nao me escutas.

Ando a procura,
não encontro.
Tenho a vida,
doce acalanto.

Venha, que serás benvinda,
mesmo que não vejas,
mesmo que não escutes.

Estás no canto,
estou no encanto.
mesmo que cega, dou guarida,
ainda que muda, terás a vida.

Tenha quem ouve
a busca não cessa.
Mesmo que possessa,
venha, procure,
inda que sem pressa.

Eis a vida:
- cega, muda e surda,
em paz, alegre,
sem ver,
sem falar,
sem escutar,
sem ser...

tio ed 24/11/2006



























revolta

Às vezes eu tenho
uma revaolta dentro de mim...
então vou à terra
e me desdenho,
cavo o sulco, revolvo,
(as vezes rego)
mas, planto voce
no meu jardim.

Outras me entrego...
Oh! semente, vil quimera!
sei que a ti planto,
cultivo e rego
mas não sei se colho
rosa, espinho ou jasmim.

tioed 30/09/2003




paradoxo

meu coração pulsa
em forma de poesia
(de poesia em forma).
As vezes, quando me expulsa,
não sei se escrevo para Maria,
ou, se de Maria, passo à Norma.


Sei que é pequeno
o espaço
que meu peito reforma.
Nao sei se me torno sereno,
nem sei se grande me faço.


Sê-de, meu peito, pequeno
prá coisa que me transforma.
(aos poucos eu só queria)
por vezes ter ao meu lado, Maria,
e outras, me deitar
nos braços quentes de Norma.



Tio ed 21/11/2003